Redação no ENEM e o mito do “TEMA FÁCIL”

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Por: Profº Loan Leblon Almeida

04       Nos últimos anos, segundo o Ministério da Educação (MEC), o número de alunos que conseguem nota 1000 diminuiu, enquanto a quantidade de redações zeradas tem aumentado gradativamente. Em 2016 apenas 77 candidatos, dos 9,2 milhões inscritos, alcançaram a tão sonhada nota máxima, enquanto 84.236 tiveram seus textos desconsiderados. Entre os principais motivos para o deslize na hora da dissertação estão a fuga ao tema; a cópia do texto de apoio; o não atendimento ao tipo textual e propostas que ferem os direitos humanos.

Para cada um dos itens há muitas dicas e regras, além da própria prática, que podem auxiliar o estudante em seu desempenho. Mas hoje conversaremos sobre uma reflexão que abrange quase todos os pontos críticos dos descuidos na hora de dissertar sobre qualquer assunto, que é o mito do “tema fácil”.

De acordo com Henry Mencken, jornalista norte-americano, em seu livro The American Language, “para todo problema complexo existe sempre uma solução simples, elegante e completamente errada”. Considerando que os temas dos últimos anos têm sido tratados como “fáceis”, sendo inclusive comemorados nas redes sociais com frases como “lacrei”; “agora sim, um assunto que domino” ou “essa com certeza é nota mil”; percebemos que há um excesso de confiança e até subestimação a um tipo de texto que não se torna menos técnico ou exigente só pela familiaridade com o tema proposto. Essa atitude faz com que o candidato abra mão de qualquer rigor técnico na argumentação, abusando de senso comum, aforismos, proselitismo, incoerência, tratando o texto mais como um brainstorming do que uma produção técnica, coerente e objetiva.

É preciso lembrar que o ENEM não busca avaliar exatamente o seu conhecimento sobre um assunto específico, mas a sua capacidade argumentativa, sua habilidade em selecionar dados e interpretar de forma crítica, realizar proposta de intervenção significativa e exequível, respeitar os direitos humanos e dominar a norma culta. Essas exigências são praticamente ignoradas quando o candidato se sente especialista no tema proposto, tratando este como um tema muito fácil, que dispensa formalidades. Talvez temas como violência doméstica, publicidade infantil, lei seca ou intolerância religiosa  sejam temas fáceis para conversas de bar ou discussões em redes sociais, pela familiaridade. Mas lembre-se que tais situações comunicativas são geralmente superficiais e recheadaIMG-20161115-WA0026s de falácias argumentativas, o que não tem valor científico.

Escrever de forma técnica exige cuidado, respeito e humildade em relação ao conhecimento, adequação do nível de linguagem e observação da estrutura da tipologia argumentativa. A simples atitude de considerar todo tema proposto como um desafio, por mais simples que pareça, pode aumentar consideravelmente o seu desempenho na hora de dissertar.

Dada a dica, desejo um bom ano de estudo a todos, e que venha 2017!

Fonte: papouniversitário.com.br

Loan

Profº Loan Leblon Almeida

É professor de Linguagens e suas tecnologias no Cursinho Pré-Vestibular e nos projetos: Baobá e Caminhos para o Trabalho.