Sim, é possível!!! Negra, da periferia e da rede pública fica em 1º lugar em curso de medicina da Fuvest

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Bruna Sena

Bruna Sena

Mulher, negra e da periferia. Bruna Sena,17, passou em primeiro lugar no curso de medicina da Fuvest-2017: vai cursar Medicina na USP de Ribeirão Preto.

Estudante de escola pública, moradora da periferia de Ribeirão Preto, conseguiu se preparar para o vestibular frequentando um cursinho popular(CPM), organizado por estudantes da própria USP.
Ela ingressa num universo onde menos de 3% dos estudantes se autodeclaram negros. Esse é o motivo da preocupação da mãe, Dinália Sena, 50, (operadora de caixa). “Ela vai ser o 1% negro e pobre no meio dos brancos e ricos da faculdade, por isso tenho medo dos racistas”. Já a filha, tem na ponta da língua argumentos de defesa da população negra, das cotas e das políticas afirmativas. Num post do Facebook, ela comemorou dizendo que “a casa grande surta quando a senzala vira médica”.

“Claro que a ascensão social do negro incomoda, assim como o filho da empregada que consegue passar na Fuvest também incomoda”, explica. “Alguns se esquecem do passado, que foram anos de escravidão e sofrimento para os negros. Os programas de cota são paliativos, mas precisam existir. Não há como concorrer de igual para igual quando não se tem oportunidade de vida iguais”. No futuro, teremos mais uma médica engajada na defesa de causas sociais como o feminismo, o movimento negro e a liberdade de gênero. Ela complementa dizendo que se orgulha do seu cabelo crespo e da sua origem.

“Quero atender pessoas de baixa renda, que precisam de ajuda, que precisam de alguém para dar a mão e de saúde de qualidade”. Mas, como ela mesma disse, “agora é hora de comemorar e ser feliz”.